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Daniel Lansky
DESMASCARANDO A BELEZA DA ARTE
Estava mexendo nos meus arquivos no computador e achei algumas fotos de desenhos de um artista alemão, meio maluco, Gottfried Helnwein, pintor de tragédias e mazelas sociais, que se baseia no grotesco, no feio, nas escaras da Segunda Guerra Mundial na Alemanha.

Por isso tive vontade de repudiar o belo na arte, principalmente pelo momento que vivemos hoje. Pensei em falar sobre São Paulo, mas prefiro me fazer de cínico como as autoridades e como a imprensa tem feito, deixem eles achar que nos iludem, que nos dão algum tipo de resposta.

Posso falar sim sobre violência, isso porque além de ter feito minha monografia sobre o tema, vivi o dia-a-dia da s vilas e favelas de Belo Horizonte quando encabeçava um programa policial na rádio em que trabalhava. Ma não vou falar. Não vou perder meu tempo com o óbvio, com medidas imbecis, com acordos do poder com o PCC. Vou ser cínico.

Por isso vou repudiar o belo na arte. Como diria Françoise Rabelais vou cagar em cima dos conceitos sociais, da imbecilidade do Estado. Quero buscar a partir de agora a arte feia, grotesca, demente. Isso me faz lembrar da sociedade medíocre e imbecil que vivemos hoje, e quero que todos se lembrem. Não quero ficar olhando para um Van Gogh ou um Portinari e me anestesiar com uma realidade alienante que não faz parte de nosso tempo. Quero olhar uma criança de Helnwein, quero olhar pra os quadros sombrios de Goya, para as esquisitices de Frida, quero me deliciar ao ver o gigante Gargântua mijando nas ruas de Paris para eliminar a mediocridade de um povo que além de imbecil é hipócrita e cínico.

O feio pode incomodar, mas é real, desnuda nosso tempo, deixa de criar expectativas. Não se espantem com a situação de São Paulo, ela está em todas as grandes cidades do Brasil, apenas ainda está recusa dentro dos morros, das favelas, estas que nós e o Estado preferimos fazer de conta que não existem.







Gottfried Helnwein, pintor de tragédias e mazelas sociais

"Quem pouco pensa muito erra".

Leonardo da Vinci



01. maggio 2006 spaces.msn.com Daniel Lansky



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